A gastroenterite, popularmente chamada de “virose”, tem um início súbito e costuma ser causada por vírus, como o rotavírus e o norovírus. Esse assunto se torna muito relevante no período atual, devido ao calor, período de férias que coincide com maior circulação nas praias próximas, aumentando o contágio do vírus, causando uma maior procura aos serviços de saúde, muitas vezes com superlotação. Embora na maioria das vezes seja um quadro leve e se resolva sozinho, ela exige atenção especial, principalmente com a hidratação, para evitar complicações como a desidratação grave.
Como identificar se estou com virose?
A gastroenterite viral causa um aumento na frequência ou na diminuição da consistência das fezes (diarreia), que dura menos de duas semanas, podendo ser acompanhada de outros sintomas:
- Náuseas e vômitos;
- Cólicas e dor abdominal;
- Febre (geralmente baixa);
- Perda de apetite;
- Mal-estar e cansaço.
E quando é necessário procurar ajuda médica?
O principal risco da gastroenterite é a desidratação. Você ou a pessoa doente devem retornar ao serviço de saúde se apresentar qualquer um destes sinais, que indicam um quadro mais grave:
- A diarreia durar mais que 5 dias sem melhora;
- Dor intensa, localizada e persistente na barriga;
- Febre e calafrios após as primeiras 48 horas;
- Fezes com sangue, muco ou vermes;
- Apresentar sinais de desidratação como boca seca, sede intensa, pele enrugada, diminuição do volume urinário, tontura ou muita fraqueza;
- Náuseas e/ou vômitos persistentes.
- Tontura, fraqueza extrema.
Hidratação: O Tratamento Mais Importante
Como citado anteriormente, a principal complicação dessa doença, é a desidratação. Portanto o tratamento da gastroenterite se concentra no tratamento de suporte e a reidratação é fundamental para prevenir hospitalizações.
Ingestão de Líquidos: A chave é repor a água e os sais minerais perdidos pela diarreia e vômito.
Priorize o Soro de Reidratação Oral (SRO): Administre a solução de SRO em doses pequenas e frequentes (por exemplo, 1 a 2 colheres de chá a cada 10 minutos), assim que o paciente aceitar.
Outras opções: Chás claros, caldos leves e água de coco.
Evite: Bebidas com alto teor de açúcar (refrigerantes e sucos de caixinha), cafeína, e álcool, pois podem piorar a diarreia e a desidratação. Se o Soro de Reidratação Oral (SRO) industrializado não estiver disponível, o soro caseiro é uma alternativa de emergência, feito com açúcar e sal para repor os eletrólitos perdidos.
Ingredientes:
1 litro de água filtrada e fervida (e depois resfriada), 2 colheres de sopa rasas de açúcar, 1 colher de chá rasa de sal.
Modo de Preparo: Misture bem todos os ingredientes até dissolver. Beba em pequenos goles ou colheradas. Atenção: Se possível, utilize o SRO vendido em farmácias ou distribuído em Unidades Básicas de Saúde, pois ele possui a composição exata recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS)
Importante para Bebês: Bebês devem receber leite materno, fórmula infantil ou SRO (conforme orientação médica). Além disso, o repouso é importante para reduzir o cansaço e ajudar o sistema de defesa (imunológico) a agir contra o vírus. Priorize alimentos leves e de fácil digestão, como: Arroz branco, macarrão, batata, inhame e cenoura. Frutas sem casca (como banana e maçã), frango e peixe (grelhados, sem molhos).
Evite: Alimentos gordurosos, de difícil digestão, leite e derivados (durante a fase aguda).
Como posso me prevenir?
A gastroenterite viral é transmitida principalmente pela via fecal-oral, ou seja, pelo contato com fezes contaminadas, alimentos, água ou objetos. Práticas de higiene rigorosas limitam a disseminação da doença:
Lave as Mãos: Lave as mãos cuidadosamente com água e sabão:
Antes de comer e preparar alimentos.
Após usar o banheiro ou trocar fraldas.
Alimentos e Água: Consuma apenas água potável/tratada. Lave bem frutas, verduras e legumes. Evite alimentos de procedência duvidosa.
Vacinação: A vacina contra o rotavírus é eficaz em bebês para reduzir casos graves da doença. Portanto a gastroenterite viral é uma condição comum, mas que exige atenção máxima à hidratação para prevenir a desidratação grave. Seguir as orientações de dieta, repouso e, principalmente, as rigorosas medidas de higiene, são os pilares para uma recuperação rápida e para evitar a transmissão, especialmente nas épocas de maior risco como o verão.
Autoras:
Amanda Liotto Pedrelli – Residente de Medicina de Família e Comunidade
Endereço para acessar este CV: https://lattes.cnpq.br/7149706107221405
Letícia Caroline Ferreira – Medica de Família e Comunidade
Endereço para acessar este CV: https://lattes.cnpq.br/5928410444252361
Referências
SÃO PAULO (Estado). Secretaria de Estado da Saúde. Centro de Vigilância Epidemiológica
(CVE). Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar. Outros agentes virais. São Paulo, [s.d.]. Disponível em: https://www.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia
epidemiologica/areas-de-vigilancia/doencas-transmitidas-por-agua-e
alimentos/doc/virus/outros_ag_virais.pdf. Acesso em: 11 dez. 2025.
HCOR – HOSPITAL DO CORAÇÃO. Área Médica. Protocolos Pronto Socorro:
Gastroenterocolite Aguda. São Paulo, 2020. Disponível em: https://www.hcor.com.br/area
medica/wp-content/uploads/2020/11/9.
PROTOCOLOS_PRONTO_SOCORRO_GASTROENTEROCOLITE_AGUDA.pdf. Acesso em:
11 dez. 2025.
