Com a chegada do Novembro Azul, é comum que muitos homens se preocupem com a saúde da próstata, especialmente quando o assunto é o câncer. No entanto, ainda existem controvérsias sobre quando, e se, o rastreamento deve ser feito.
Afinal, o exame de PSA e o toque retal são realmente necessários para todos? Essa decisão, que parece simples, envolve benefícios e riscos que precisam ser avaliados com cuidado junto ao seu Médico de Família.
A ciência mostra que o rastreamento de câncer de próstata pode trazer benefícios limitados. Grandes estudos, como o European Randomized Study of Screening for Prostate Cancer (ERSPC), o qual acompanhou milhares de homens por mais de duas décadas, concluiu que a realização do PSA reduz em uma pequena quantidade a mortalidade específica por câncer de próstata em homens de 55 a 69
anos. Por exemplo, conforme essa pesquisa, para evitar uma única morte por câncer, seria necessário diagnosticar 12 homens e convidar 456 homens para o rastreamento.
Sabe-se que entre 20% a 50% dos cânceres detectados por rastreamento são sobrediagnosticados — ou seja, seriam tumores que nunca causariam sintomas ou ameaça à vida e o tratamento desnecessário poderia levar a complicações como incontinência urinária e disfunção erétil, afetando diretamente a qualidade de vida.
Por isso, em homens acima de 70 anos ou com expectativa de vida inferior a 10
anos, o rastreamento geralmente não é recomendado.
Logo, segundo as recomendações atuais, o rastreamento para o câncer de próstata deve ser discutido com homens a partir dos 50 anos, considerando sintomas atuais,
seus valores pessoais, histórico de doenças, histórico familiar e expectativas de vida. Sabe-se que Homens afrodescendentes, com histórico familiar de câncer de
próstata antes dos 65 anos ou portadores de mutações genéticas de alto risco (como BRCA1 e BRCA2), devem iniciar essa conversa mais cedo, entre os 40 e 45 anos, e para quem opta pelo exame, o PSA, com ou sem toque retal, pode ser repetido a cada 1 a 4 anos, conforme a idade e o risco individual. Na prática, a melhor estratégia é conversar abertamente com o seu médico. Avaliar histórico familiar, origem étnica, sintomas e preferências pessoais. Esses fatores são essenciais para uma decisão segura.
O mais importante é lembrar: cuidar da saúde masculina vai muito além de um
exame e muito além da próstata. A decisão sobre o rastreamento deve ser
informada, equilibrada e personalizada. Pergunte, tire dúvidas e participe ativamente desse processo, porque a melhor prevenção começa com informação e diálogo.
Maria Gabriela Safanelli Menegotti Rocha – Médica Residente de Medicina de Família e Comunidade da Secretaria Municipal de Saúde de Jaraguá do Sul
http://lattes.cnpq.br/5874557710101821
Ana Gabriela de Mattos Hamel E Silva – Médica de Família e Comunidade; Preceptora na Residência de Medicina de Família e Comunidade da Secretaria Municipal de Saúde de Jaraguá do Sul
http://lattes.cnpq.br/9641167682754547
Referências
US PREVENTIVE SERVICES TASK FORCE. Screening for Prostate Cancer.
Jama, [S.L.], v. 319, n. 18, p. 1901, 8 maio 2018. American Medical Association
(AMA). http://dx.doi.org/10.1001/jama.2018.3710.
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Gregoire; KWIATKOWSKI, Maciej. European Study of Prostate Cancer Screening —
23-Year Follow-up. New England Journal Of Medicine, [S.L.], v. 393, n. 17, p. 1669-1680, 30 out.
http://dx.doi.org/10.1056/nejmoa2503223.
Massachusetts
Medical
Society.
